Genres dissidents : intersectionnalité et assistance dans les réseaux de la santé
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Résumé
Introduction : La structure binaire cisgenre ne permet pas la reconnaissance de sujets aux genres dissidents. Mieux comprendre les perspectives de ces personnes est indispensable afin de créer des environnements de santé garantissant le respect et la dignité de tous les genres dans les soins.
Objectifs : Analyser la perspective des personnes aux genres dissidents sur les soins et comprendre leur perception de l’approche professionnelle dans les réseaux de santé.
Méthode : Il s’agit d’une étude transversale qualitative, adoptant une approche méthodologique du sujet-partenaire, fondée sur les cadres théoriques de Akotirene, Butler et Preciado. Les données ont été recueillies à travers 2 groupes focalisés virtuels avec des personnes de genres dissidents et par des journaux de terrain impliquant le sujet-partenaire. Les données produites ont été analysées selon la méthodologie d’analyse de contenu de Minayo.
Résultats : Trois catégories thématiques ont émergé : 1) l’Être-soi; 2) la structuration des soins au sein du système (public) de santé unifié brésilien et les 3) stratégies d’avancement. Dans une perspective intersectionnelle, l’existence et l’usage du nom social (choisi par la personne) ont un impact direct sur l’assistance et l’accès aux soins : les données ont indiqué l’existence d’archétypes violents et de préjugés.
Discussion et conclusion : Cette étude fait ressortir des expériences de soins vécues par les personnes aux genres dissidents, en reconnaissant que l’irrespect demeure un défi sociétal également présent dans le champ de la santé. Des recherches supplémentaires sont nécessaires pour promouvoir la reconnaissance des individus comme sujet à part entière, en particulier ceux aux genres dissidents.
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